Oscar Munhoz é um executivo americano de 57 anos. Fez carreira em grandes empresas e há pouco mais de um ano é CEO da United Airlines. Dono de uma bem sucedida carreira, portanto, Munhoz expôs o quão desconectado da atualidade podem estar os mais estrelados currículos, com as mais sólidas formações. Escreveu um e-mail a seus milhares de funcionários elogiando a forma como conduziram a retirada de um passageiro de um voo superlotado. Sabe-se agora que, legalmente, a companhia pode sim retirar passageiros. O que não se pode é fazê-lo da forma como foi feito. O vídeo, que já rodou o mundo, causa repulsa, revolta e perplexidade pela violência empregada. Não importa o que se diga do passageiro. A forma como agiram é condenável.

Munhoz não apenas não condenou como elogiou a condução do caso. Estrago feito. E por escrito.

Em tempos de redes sociais, mídias digitais e real time, fica difícil entender que alguém possa confiar na privacidade das comunicações e acreditar que uma comunicação interna ficará restrita ao público destinatário. Tão impactantes quanto as imagens, são as palavras do presidente da United!

Não satisfeito, Munhoz voltou atrás um dia após o vazamento do e-mail e tentou acertar o tom. Piorou!

Apenas nesta terça-feira, a companhia perdeu nada menos que US$ 250 milhões de valor de mercado e qualquer passageiro no mundo vai pensar duas vezes antes de escolher a cia aérea presidida por Munhoz para seu próximo voo.

O caso é mais um exemplo, entre os milhares que se vê todos os dias, da falta de percepção das empresas sobre a importância da comunicação corporativa.

Esta área é estratégica demais para não estar atrelada diretamente ao CEO da companhia. Mas parece que só quando perceberem que custa caro relegar esta gestão a um segundo plano ou subordinar área tão sensível a outros departamentos que não ao comando da empresa, é que pensarão a mudar seu status. O custo será proporcional à demora desta percepção.

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